Como lidar com a sensação de não dar conta de tudo
- Rafaela Cortez

- há 22 horas
- 2 min de leitura

Na minha vida tem uma cena que se repete absolutamente TODA semana:
eu tentando organizar tudo… a rotina, as demandas, o tempo, a vida…
E aí vem aquela sensação quase urgente de que, se eu fizer tudo “certo”, conforme o programado, talvez eu consiga manter tudo funcionando ao mesmo tempo, sem perder nada importante ou deixar algo escapar.
Mas é uma sensação que dura pouco (na verdade bem pouco), porque na prática...
SEMPRE TEM ALGUMA COISA ESCAPANDO DE NÓS
Durante muito tempo, toda vez que isso acontecia eu achava que era falta de organização, de disciplina ou até mesmo de esforço. Então eu tentava melhorar: planejar melhor, antecipar mais, ser mais eficiente. E mesmo assim, tudo se repetia…
É frustrante perceber que não importa o quanto a gente tente, sempre existe uma escolha implícita acontecendo: o que deixar para depois. Mas, ao mesmo tempo, perceber (e aceitar) isso muda alguma coisa dentro de nós, porque quando a gente entende que não dá pra sustentar tudo, começamos a escolher:
Qual prato pode cair?
Qual dói menos perder?
Qual tem menos impacto?
Qual dá pra recuperar depois?
Quase como se a gente ganhasse o direito de negociar o melhor cenário com a própria vida e reduzir os danos quando não conseguimos abraçar o mundo
Foi aí que alguma coisa começou a fazer sentido pra mim:
Talvez o problema nunca tenha sido a falta de equilíbrio, mas sim a ideia de que viver bem significa conseguir sustentar tudo ao mesmo tempo, sem deixar nada de fora, sem perder nada importante. E, se for por essa lógica… realmente o equilíbrio é quase inalcançável.
Então a partir disso, com o tempo, fui percebendo que equilíbrio não é sobre evitar que algo se quebre… é sobre conseguir sustentar dentro de nós mesmas a decisão que foi tomada do que deixar para depois, sem se punir, sem se convencer de que daria pra fazer diferente ou exigir uma versão quase impossível de si mesma. Afinal tem fases da nossa vida que o trabalho ocupa mais espaço, outras que o emocional pede mais presença, outras que o corpo cobra uma pausa, outras que o descanso precisa vir mesmo com culpa, e não existe distribuição perfeita. O que existe é movimento, ajuste e renúncia.
Talvez o equilíbrio não seja uma linha reta muito menos um estado estável
Talvez ele seja mais parecido com uma espécie de acordo interno que a gente faz, mesmo sem ter certeza. Um lugar onde reconhecemos: “isso aqui vai ficar de fora agora, e ainda assim, essa escolha faz sentido (mesmo que doendo um pouco)".
Por isso se você me perguntasse: afinal, o equilíbrio existe? Eu te diria que pode até ser que sim, mas não como ausência de perdas…
E sim como a capacidade de lidar com o desconforto do que precisamos deixar de lado.




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